O uso do Taping elástico na Dor no Ombro

DOR NO OMBRO

Quer melhorar a sua dor no ombro? Exercite-se!

O taping elástico não adiciona nenhum benefício ao tratamento baseado em exercícios, em médio ou longo-prazo.

 

 

Sem dúvidas, o kinesiotaping ou taping elástico (em português, fita elástica) é um recurso amplamente utilizado em clínicas e clubes esportivos para o tratamento de várias disfunções traumáticas e ortopédicas.

Muitos atletas profissionais utilizam esse recurso, que levanta grandes discussões, pois a maioria desses atletas reportam uma experiência positiva com o taping elástico. No entanto, as fitas (“taping”) elásticas não adicionam nenhum benefício, em médio ou longo-prazo, ao tratamento fisioterapêutico baseado em exercícios para as dores no ombro. É isso que revela um estudo publicado na revista científica Sports Health por uma equipe de pesquisadores da Université Laval liderada pelo pesquisador brasileiro Dr. Fábio Oliveira, que é Pesquisador-Assistente no Centro Interdisciplinar de Pesquisas em Reabilitação e Integração Social (CIRRIS), em Québec, Canadá.

Para chegar à esta conclusão, os pesquisadores recrutaram 52 pacientes com tendinopatia crônica do manguito rotador (também popularmente conhecida como bursite ou tendinite).

Todos os pacientes foram submetidos à um programa de tratamento individualizado com 6 semanas de duração. Esse programa foi composto por 10 sessões de fisioterapia, com 30 a 45 minutos de duração, durante as quais os pacientes realizaram uma série de exercícios sob a supervisão de um fisioterapeuta especialista em reabilitação do ombro. Os pacientes também receberam alguns exercícios para serem realizados em casa, de acordo com a necessidade individual de cada um.

A metade dos pacientes, definida aleatoriamente, recebeu a aplicação do taping elástico, de acordo com as orientações da Associação Internacional de KinesioTaping, ao final de cada sessão de fisioterapia.

Diferentes testes para avaliação dos sintomas, como a dor e as limitações funcionais da articulação do ombro, foram realizados antes do tratamento se iniciar e após 3, 6, 12 e 24 semanas.

Os resultados mostraram que todos os pacientes apresentaram melhoras significativas em todas as avaliações. No entanto, o nível de melhora foi similar nos dois grupos (com ou sem o taping elástico).

Com base nesses resultados, é possível concluir que, para dores no ombro, como as tendinopatias, as bursites, e outras lesões relacionadas ao manguito rotador, a utilização do taping elástico em conjunto com a fisioterapia convencional, não proporciona resultados superiores àqueles obtidos só com os exercícios terapêuticos. Seja à curto, médio ou longo-prazo. “Os seus pacientes não vão melhorar mais rápido”, resume o pesquisador e líder da pesquisa, Dr. Fábio Oliveira.

Estudos anteriores haviam reportado um efeito imediato do taping elástico para este tipo de lesões. De fato, as pessoas se sentem melhor e relatam menos dores quando fazem os movimentos com o taping elástico. Por esse motivo, imaginava-se que esse efeito pudesse se estender à velocidade de cura, mas não foi isso o observado no final do estudo.

 

Pode se concluir que o taping elástico é, portanto, uma intervenção inútil? Depois deste estudo, os clínicos e fisioterapeutas vão continuar a usar o taping elástico?

Ainda é muito cedo para tal premissa! Não devemos julgar o taping elástico como se faz com a hydroxicloroquina para o tratamento da COVID-19. É preciso considerar que o taping elástico não é caro, não é invasivo e não causa nenhum mal ao paciente, nem ao tratamento. Então, o paciente e o fisioterapeuta podem discutir sobre o uso do taping elástico.

O taping elástico ainda vai figurar, por muitos anos, como um dos recursos usados no tratamento de lesões musculoesqueléticas. Primeiro, porque nem todos os clínicos e fisioterapeutas têm acesso ao resultado dessa pesquisa. Segundo, porque essa pesquisa é exclusiva para dores nos ombros relacionadas ao manguito rotador. Então, não se pode extrapolar esses resultados para outras lesões e/ou segmentos corporais. Terceiro, muitos pacientes gostam do taping elástico e se sente bem. Dessa forma, não existe motivos para uma oposição categórica em relação à utilização do taping elástico. Além disso, o lado psicológico pode ajudar muito com a progressão do tratamento. No entanto, é importante que o fisioterapeuta esteja ciente de que o resultado do tratamento do seu paciente não será influenciado pela utilização do taping elástico.

É provável que o efeito imediato gerado pelo taping elástico faça dele um facilitador de movimento, ao invés de um recurso terapêutico propriamente dito. Apesar do taping elástico proporcionar um efeito interessante de alívio imediato da dor, ele não promove a cura da dor no ombro mais rapidamente, de acordo com esse ensaio controlado aleatorizado.

 

O artigo pode ser baixado na íntegra no site oficial do jornal científico Sports Health, através do link: https://journals.sagepub.com/doi/full/10.1177/1941738120944254

Você também pode contactar diretamente com o Dr. Fábio Oliveira através do e-mail: fabio.oliveira1@uqac.ca

Referência: de Oliveira FCL, Pairot de Fontenay B, Bouyer LJ, Desmeules F, Roy J-S. Kinesiotaping for the Rehabilitation of Rotator Cuff–Related Shoulder Pain: A Randomized Clinical Trial. Sports Health. September 2020. doi:10.1177/1941738120944254

 

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